Um escritório de advocacia vende duas coisas ao mesmo tempo: o trabalho técnico e a confiança de que o que o cliente contou não vai parar em lugar nenhum. Um contrato de divórcio, uma investigação trabalhista, uma disputa societária — tudo isso chega ao advogado porque ele promete guardar segredo. Perder esse segredo não é só um prejuízo de TI: é quebrar a própria razão de existir do escritório.

Segundo o relatório The State of Ransomware 2026, da empresa de segurança Sophos, feito com 2.158 respondentes em 17 países entre janeiro e março de 2026, 56% dos ataques de sequestro de dados registrados conseguiram embaralhar os arquivos da empresa atacada — 41% foram barrados antes disso. E o valor cobrado acompanha o tamanho de quem é atacado: nas empresas com faturamento abaixo de US$ 50 milhões, a mediana do resgate exigido ficou em torno de US$ 140 mil.

Para quem decide num escritório pequeno ou médio, o número importa por um motivo direto: não é o escritório grande, com departamento de TI próprio, que corre mais risco. É o escritório enxuto, onde o processo do cliente mora no notebook de quem o atende, sem ninguém cuidando disso em tempo integral.

Onde mora o processo do cliente

Na prática, o documento do cliente raramente está num só lugar seguro. Fica na pasta local do computador do advogado, numa cópia enviada por e-mail, às vezes num pen drive levado para uma audiência. Cada cópia extra é mais um lugar onde o dado pode se perder, ser mostrado à pessoa errada ou simplesmente sumir quando o computador trava.

Boa parte desse material se enquadra no que a lei chama de dado sensível. Segundo as perguntas frequentes publicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), dado pessoal sensível é aquele relativo a origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, saúde, vida sexual, ou dado genético e biométrico. Um laudo médico numa ação de plano de saúde, um exame numa disputa trabalhista, um histórico familiar numa guarda de filho: tudo isso passa pela mesa de um escritório de advocacia comum, com a exigência de cuidado mais alta que a lei reserva para esse tipo de informação.

Um documento de cliente pode sumir junto com o disco rígido, mas o prazo do processo não desaparece com ele. Uma petição que precisa ser protocolada até as 23h59 de um dia específico não espera o computador ligar de novo, nem espera alguém lembrar onde ficou a última versão do texto. Perder o prazo por causa de um problema de TI não é como perder um e-mail: pode custar o próprio direito que o cliente contratou o escritório para defender.

O CERT.br, o centro que recebe notificações voluntárias de incidentes de segurança de redes no Brasil, atualiza suas estatísticas mensalmente desde 1999. O volume constante de notificações mostra que perda de dado e acesso indevido não são exceção rara: são parte do dia a dia de quem usa computador para trabalhar — e um escritório de advocacia não fica de fora dessa realidade só porque lida com processo em vez de produto.

Por que o jeito comum não resolve

O jeito comum de cuidar disso, na maioria dos escritórios pequenos, é chamar alguém só quando o computador para de funcionar. Enquanto está tudo bem, ninguém olha se a cópia de segurança realmente existe, se ela realmente abre, ou se o antivírus instalado há três anos ainda está atualizado.

Outra versão comum é confiar no estagiário ou no sócio mais familiarizado com tecnologia para resolver qualquer imprevisto — sem tempo, treino nem responsabilidade formal para isso. Funciona até o dia em que essa pessoa está de férias, numa audiência, ou não sabe por onde começar diante de um arquivo que não abre mais.

Uma terceira versão é proteger o processo com uma senha de e-mail e nada além disso. Uma senha sozinha não impede que alguém que a descobriu entre na conta, leia o processo e continue lendo sem que ninguém perceba — às vezes por dias.

O que precisa existir na prática

Um escritório preparado para esse cenário não depende de sorte nem de boa vontade. Depende de mecanismos que continuam funcionando mesmo quando ninguém está olhando.

Cópia de segurança automática de tudo, inclusive do notebook de quem atende fora do escritório. Documento de cliente que só existe numa máquina é um documento que pode desaparecer numa queda, num roubo ou num vírus.

Teste periódico dessa cópia, não só a cópia em si. Uma cópia de segurança que ninguém tentou restaurar é uma suposição, não uma garantia — e o dia de descobrir que ela não funciona não pode ser o dia em que o prazo vence.

Acesso remoto seguro para trabalhar de audiência, fórum ou casa. Isso substitui o pen drive levado no bolso e evita deixar documento de cliente em qualquer computador que não seja o da empresa.

Um segundo passo de confirmação além da senha, no e-mail e nos sistemas do escritório. Mesmo que alguém descubra a senha, esse segundo passo mantém a conta fechada.

Um único responsável pela TI do escritório, em vez do estagiário de plantão ou de um fornecedor diferente para cada problema. Alguém que conhece o ambiente todo responde mais rápido do que alguém aprendendo o escritório do zero no meio de uma emergência.

Chamado registrado com causa e solução, para que o mesmo problema — arquivo perdido, e-mail fora do ar, computador lento demais para trabalhar — não volte a acontecer sem explicação.

É assim que a Skills IT trabalha: com cópia de segurança testada, acesso remoto seguro para quem atende fora do escritório e um único responsável pela TI, no lugar de soluções improvisadas.

O que muda quando o escritório se prepara

O ganho não é ter um sistema mais bonito. É continuar operando no dia em que algo dá errado. Um escritório com cópia de segurança testada perde horas para restaurar um arquivo; sem ela, pode perder o processo inteiro, ou o prazo dele.

O custo previsível também pesa na decisão de quem administra o escritório. Trocar o modelo de "pagar caro numa emergência, sem estimativa nenhuma antes" por um custo mensal fixo, com estimativa antes de qualquer compra maior, transforma um problema imprevisível numa linha de orçamento que o sócio consegue planejar.

Tem ainda um ganho que não aparece em nenhum número: a confiança do cliente. Um escritório que sabe explicar, em uma frase, como protege o processo e o documento entregue transmite exatamente o profissionalismo que o sigilo profissional promete. Um escritório que gagueja diante dessa pergunta já perdeu um pouco dessa confiança, mesmo sem nenhum incidente ter acontecido ainda.

Só 1 em cada 3 empresas menores atingidas por sequestro de dados conseguiu parar o ataque antes que os arquivos fossem embaralhados.

The State of Ransomware 2026, Sophos

Perguntas para levar à próxima reunião do escritório

Antes de assumir que "isso não vai acontecer aqui", vale perguntar o que existe hoje para o dia em que acontecer.

  1. Onde está a petição de amanhã, agora mesmo? Se a resposta é "no notebook de alguém", esse notebook precisa da mesma proteção que o servidor do escritório.
  2. Quando foi a última vez que alguém tentou restaurar uma cópia de segurança de verdade? Se a resposta é "nunca", o escritório não sabe se tem uma cópia ou só uma suposição.
  3. Se o computador de quem está com o processo travar hoje à noite e o prazo vencer amanhã, o que o escritório faz? Sem resposta pronta, a solução vai ser improvisada sob pressão.
  4. Documento com dado de saúde, de vida pessoal ou de família recebe algum cuidado extra? Esse tipo de documento aparece mais do que se imagina numa banca comum, e a lei trata esse dado com mais rigor.
  5. Se um cliente perguntar quem mais teve acesso ao processo dele, o escritório sabe responder na hora? Essa resposta pronta é, na prática, o sigilo profissional funcionando de verdade.